sábado, 13 de maio de 2017
Soneto XXIII
Como no palco o ator é imperfeito.
Faz mal o seu papel por temor,
Ou quem, por ter repleto de
ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num
tremor,
Em mim, por timidez, fica
omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo
enfraquecido,
Vergado pela própria
dimensão.
Seja meu livro então minha
eloquência,
Arauto mudo do que diz meu
peito,
Que implora amor e busca
recompensa
Mais que a língua que mais o
tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor
calado:
Ouvir com os olhos é do amor
o fado.
- William Shakespeare
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